domingo, 24 de julho de 2011

Metodologia - Parte 2

Nossa pesquisa será um estudo de caso de natureza qualitativa e os instrumentos a serem utilizados para a coleta de dados serão a combinação de observação, entrevistas, aplicação de questionários e formulários. Serão realizadas visitas na Agência Nacional de águas com o propósito de levantar os dados necessários para a análise do processo de gestão e inserção de documentos fotográficos no sistema informatizado em uso.
Os roteiros das entrevistas e os questionários serão preparados conforme estudo prévio da estrutura, missão, história e atividades executadas na ANA.

A seguir, a descrição das principais etapas de coleta e consolidação de dados.

a) Captura do conhecimento
Esta etapa servirá para levantar a literatura necessária ao desenvolvimento da pesquisa e identificar experiências anteriores, semelhantes ao tema proposto.

b) Estudo e análise da instituição
Esta etapa consistirá de estudos sobre a missão, história, atividades executadas e documentos produzidos pelos setores da ANA.

c) Coleta de dados
Esta etapa abrangerá visitas ao Centro de Documentação (CEDOC) da ANA, buscando contato com as pessoas que participam diretamente na gestão documental do órgão.
Depois, serão feitas reuniões com as pessoas que trabalharam na consolidação de normas e recomendações para a implantação de SIGADs. Nesse caso, a intenção é buscar contato com o Arquivo Nacional, a Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos (CTDE) e a Câmara Técnica de Documentos Audiovisuais, Iconográfico e Sonoros a fim de investigar como é o processo de construção de requisitos e recomendações para implantação de SIGADs e identificar as ações realizadas pelo Arquivo Nacional para orientar os órgãos públicos da Administração Federal no que tange a gestão de documentos fotográficos.
A coleta de dados será por meio de entrevistas, aplicação de questionários e/ou formulários .

d) Consolidação dos dados
Esta etapa servirá para organizar os dados obtidos na pesquisa de campo, por meio de anotações e descrições.

e) Análise e discussão baseadas nos resultados
Esta etapa será de interpretação e análise dos dados que foram consolidados na etapa anterior. A análise deverá ser feita para apontar as possíveis causas para o problema, propor soluções ou recomendações, considerando os pressupostos da pesquisa.

f) Conclusão da análise
Esta etapa servirá para explicitar se os objetivos foram atingidos e para propor caminhos futuros de análise e pesquisa, tendo em vista o aprofundamento das discussões.

g) Redação e apresentação da dissertação
Esta etapa consistirá na apresentação da análise dos resultados obtidos na pesquisa, por meio da redação e apresentação da dissertação, que terá o foco de expor o processo de gestão e inserção de documentos fotográficos em sistemas informatizados de gestão de documentos.

Foco

Copiado de inmeta



O desenvolvimento de uma pesquisa depende, primeiramente, de uma definição clara, ainda que provisória, de seu objeto de estudo. É muito comum um jovem pesquisador escolher um objeto muito abrangente e que fale sobre muitas coisas que poderiam mudar aquela realidade que tanto o incomoda. Mas esse não é o melhor o caminho...
Ao tentar estudar muitas coisas, o pesquisador pode acabar se perdendo e por em risco a confiabilidade de sua pesquisa. Assim, ECO (1932) recomenda que quanto mais se restringe o campo, melhor e com mais segurança se trabalha.
No nosso caso, se nosso objetivo é estudar o fenômeno da inserção de documentos fotográficos em sistemas informatizados de gestão arquivística de documentos (SIGAD’s), não caberia apresentarmos um estudo exaustivo sobre toda a ocorrência deste fenômeno, pois seria inexequível no tempo disponível para o trabalho, mas podemos delimitar uma amostra ou um estudo de caso que possa ser suficiente para analisar aquilo que está sendo proposto.


Assim, parti para a busca de um SIGAD que contemplasse, de acordo com o e-ARQ Brasil:

1. A Recuperação de imagens;
2. A Aplicação do plano de classificação;
3. O Controle sobre os prazos de guarda e destinação;
4. O Armazenamento seguro;
5. Procedimentos confiáveis e autênticos;
6. A Garantia de acesso e preservação de documentos imagéticos digitais e não digitais.
Durante alguns meses, busquei alguns órgãos públicos que tivessem sistemas informatizados, até que, finalmente, conheci a Agência Nacional de Águas (ANA).


Pronto, agora já tenho meu objeto de estudo, falta agora definir os instrumentos para coleta de dados...

Metodologia da Pesquisa

Para RICHARDSON (2011), não existe fórmula mágica e única para realizar uma pesquisa ideal e talvez não exista nem existirá uma pesquisa perfeita. Entretanto, isso não quer dizer que basta ter curiosidade e sensibilidade social para pesquisar qualquer coisa sem critério algum. Ciência não é algo que se faça assim, de qualquer maneira, mas seguindo métodos científicos.
“Da mesma forma que a definição do objeto, a discussão sobre métodos é de extrema importância para o desenvolvimento dos conhecimentos, já que é ela que permite avaliar a adequação de cada afirmação, de cada nova frase ou fórmula que se proponha a ser uma descrição de um fenômeno ou processo, sejam eles naturais ou sociais”. (TOMANIK, 2004, p. 19)

Método científico é a definição do caminho para chegar a determinado objetivo e metodologia são as regras estabelecidas para o método científico.
Metodologia cientifica não se resume àquelas normas que somos obrigados a decorar desde cedo quando precisamos apresentar nossos trabalhos esteticamente padronizados. Vai mais além. A Metodologia nos orienta como andar no “caminho das pedras” de uma pesquisa. Portanto, não precisamos somente de regras, mas desenvolver uma postura científica por meio de atitudes autocorretivas, disciplina, planejamento cuidadoso, reflexões conceituais sólidas e habilidade em escolher o melhor caminho para atingir os objetivos por meio da metodologia.
“[...] se o conhecimento dos diferentes métodos pode nos auxiliar a elaborar melhores descrições, a desenvolver afirmações como maior grau de fidelidade à situação a que se referem, o estudo da metodologia (a parte das ciências que se preocupa da descrição, análise e avaliação dos métodos) pode ser de grande utilidade para qualquer pessoa. Para as pessoas-cientistas, ele é mais dos que útil; é indispensável.” (TOMANIK, 2004, p. 21).

Entretanto, a ciência não é feita apenas a partir da metodologia. Toda pesquisa científica deve ter um ponto de partida que dará credibilidade ao seu estudo, portanto, você deve ter muito cuidado ao supervalorizar os métodos e desprezar o referencial teórico, pois sem teoria não há ciência.
O desenvolvimento da pesquisa alicerçado em conhecimentos já existentes terá mais chances de trazer resultados satisfatórios e de qualidade. De acordo com TOMANIK (2004) isso é o que “separa a pesquisa científica de uma pesquisa baseada no senso comum, ou de uma atividade de levantamento de dados pura e simples (tipo IBOPE ou similares)”. Portanto, se vamos estudar sobre a inserção de fotografias em SIGADs, temos que buscar experiências de autores que já escreveram sobre o assunto.
Existem diferentes tipos de pesquisa: qualitativa, quantitativa, histórica, etnográfica, dentre outras. A esta altura, o pesquisador deve estar preparado para escolher a melhor estratégia. No nosso caso, optamos por um estudo de caso de natureza qualitativa.
Após escolha do tipo de pesquisa, do levantamento da literatura e da identificação de experiências anteriores ao desenvolvimento do estudo, partiremos para a definição dos instrumentos de coleta de dados que poderá ser a combinação de entrevistas, aplicação de questionários e formulários, com o propósito de levantar os dados necessários para a análise do processo em estudo.
Após ter os dados coletados, faremos a análise e interpretação desses dados, quando será possível explicitar se os objetivos foram atingidos de acordo com o aprofundamento das discussões.
Esta fase de exposição de resultados exigirá que o pesquisador escreva bastante. Porém, escrever é, quase sempre, uma atividade difícil e pode ser motivo de ansiedades ou até desesperos. Essa dificuldade deverá ser enfrentada de forma ativa, portanto, devemos procurar redigir de forma clara, precisa e objetiva.
A melhor dica é: não deixe nada para cima da hora, pois escrever também é questão de treino.

Ciência?

Copiado de exame de ordem



A ciência está presente em quase tudo em nossas vidas. Cada ação que realizamos tem uma participação, mesmo que pequena, de conhecimentos obtidos através da ciência. Ciência é algo difícil de definir, pois não há consenso entre seus definidores. Então, vamos partir de duas características interessantes da ciência: 1) É uma forma de conhecimento da realidade e 2) É uma discussão insolúvel.
O desenvolvimento de uma atividade científica é uma forma de conhecimento da realidade e surge a partir do questionamento do pesquisador sobre um dado fenômeno, ação ou comportamento observável. Desta forma, a pesquisa pode ser tanto um processo de compreensão e descrição, como um meio de produção e consolidação de conhecimento.
A pesquisa pode se encarada como uma efetiva construção cultural, porém, nem toda construção é pesquisa, mas toda construção cultural pode ser objeto de pesquisa, já que toda interação social, artefato, construto ou imagem pode passar por uma análise mais profunda. Mas o que define uma pesquisa científica?
Umberto Eco (2010) aborda, de maneira sucinta, quatro requisitos para que um estudo seja considerado científico: 1) Debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente pelos outros; 2) Deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma óptica diferente o que já se disse; 3) Deve ser útil aos demais e 4) Deve fornecer elementos para verificação e a contestação das hipóteses apresentadas.
Entretanto, a ciência é uma discussão insolúvel que, de acordo com TOMANIK (2004), os conhecimentos obtidos por meio da ciência são recursos desenvolvidos pelo homem, para suprir suas necessidades e aspirações e que na medida em que estas se alteram, os objetivos específicos da ciência também podem sofrer alterações.
“Por razões como estas é que os limites das ciências estão sempre sendo discutidos e avaliados, o que torna impossível se ter uma definição única e permanente, e faz com que grupos diferentes de cientistas adotem e procurem demonstrar como adequadas definições diferentes, e às vezes até conflitantes, sobre os limites da ciência e as formas adequadas para obtenção ou desenvolvimento de conhecimentos científicos” (TOMANIK, 2004, p. 16).
Pesquisa científica é uma ferramenta para adquirir conhecimento, mas pode ter como objetivos: resolver problemas específicos, gerar teorias ou avaliar teorias existentes. A pesquisa científica modifica a realidade, entretanto,
“A atividade científica, como qualquer atividade humana, é realizada dentro de um contexto social, e é influenciada, ou mesmo determinada por esse contexto. Assim, numa sociedade que se apresenta desigualmente dividida, qualquer atividade estará sempre situada entre dois pólos: o da contribuição par a manutenção do sistema vigente de desigualdades, ou da contribuição para superação desse sistema.” (TOMANIK, 2004, p. 128)

Portanto, é ingênuo pensar que uma pesquisa é totalmente neutra já que, durante o seu desenvolvimento, sofremos múltiplas influências de ideologias políticas, das idéias do nosso orientador, das nossas crenças e das nossas disposições pessoais.

A atividade científica representa um caminho árduo que exige alguns atributos pessoais desejáveis para um bom pesquisador como a perseverança, a paciência, além de dispor de tempo considerável para ler e escrever. Assim, TOMANIK (2004, p. 29) nos conforta ao afirmar que:
“Apesar dessas dificuldades todas (ou talvez justamente por elas) o mundo da ciência é fascinante. A atividade de pesquisa, quer para a construção de teorias, quer para a resolução de problemas, tem sempre algo de aventura, de um salto ao desconhecido” (TOMANIK, 2004, p. 29).

Nem sempre conseguimos alcançar nossos objetivos em uma pesquisa científica e,

“evidentemente, é muito desejável chegar a um produto acabado, mas não é motivo de frustração obter um produto imperfeito. É melhor ter trabalho de pesquisa imperfeito a não ter trabalho nenhum. Os diversos problemas que surgem no processo de pesquisa não devem desencorajar o principiante, a experiência lhe permitirá enfrentar as dificuldades e obter produtos adequados”. (RICHARDSON, 2011, p. 16).

Portanto, se levamos a sério uma pesquisa, não devemos desanimar ao achar que não chegamos a lugar algum só porque não descobrimos algo extremamente brilhante na nossa área de conhecimento, mas devemos nos orgulhar por estarmos contribuindo para o avanço das ciências e abrindo novos campos e novas formas de pesquisa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 10ª edição. Tradução de Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: Editora Perspectiva, 1993.

RICHARDSON, Robeto Jarry. Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3ª Edição. São Paulo: Atlas, 2011.

TOMANIK, Eduardo Augusto. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em Ciências Sociais. 2ª Edição. Maringá: Eduem, 2004.

O porquê da Pesquisa



Copiado daqui


Observa-se, na literatura arquivística brasileira, uma evolução nos estudos sobre a questão da gestão informatizada em unidades e serviços de gestão de documentos. Embora o tema esteja sempre em pauta nos congressos e encontros de profissionais da área, pouco se discute sobre a inserção de documentos imagéticos em sistemas informatizados de gestão arquivística de documentos.
Apesar dos avanços conceituais que o CONARQ trouxe, por meio de suas normas e recomendações, não se sabe exatamente o nível de aplicabilidade que tiveram até o momento na Administração Pública, com relação a gestão de documentos fotográficos.

Objetivos da Pesquisa

Copiado daqui


No post anterior falei que da escolha do tema.


Agora, gostaria de compartilhar os objetivos da pesquisa.

Objetivos Gerais:


Analisar a aplicabilidade do e-ARQ Brasil do Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) com relação a inserção de documentos fotográficos em sistemas informatizados de gestão arquivística de documentos (SIGADs), como suporte aos processos de recuperação, acesso e preservação de informações de valor documental, de instituições da Administração Pública.


Objetivos Específicos:
Por meio de estudos teóricos, pretende-se pretende-se investigar os requisitos de gestão que um SIGAD deve ter para garantir a inserção de documentos fotográficos de arquivo de maneira segura e eficiente.
Para isso, vamos identificar: as bases conceituais de algumas recomendações do CONARQ; as eventuais dificuldades de aplicação do e-AQR no que tange aos documentos fotográficos; as dificuldades de gestão e inserção de documentos fotográficos em sistemas informatizados e as ações de apoio prestadas pelo Arquivo Nacional.
Apesar dos avanços conceituais que o CONARQ trouxe, por meio de suas normas e recomendações, não se sabe exatamente o nível de aplicabilidade que o tiveram até o momento, com relação a gestão de documentos fotográficos. Por meio dos resultados obtidos na pesquisa, será possível apontar qual era o contexto da gestão dos documentos imagéticos antes das recomendações do CONARQ, o contexto atual e quais as perspectivas futuras em relação à inserção de fotografias em sistemas informatizados de gestão de documentos imagéticos nas instituições públicas.

A escolha do Tema

A escolha do tema da minha pesquisa partiu de alguns questionamentos que tenho em relação a aplicabilidade do e-ARQ Brasil nos sistemas informatizados de Gestão Arquivística de Documentos da Administração Pública.
Trabalhei em 3 ministérios e tive a portunidade de acompanhar a implantação de vários SIGADs mas até o momento não encontrei algum que correspondesse a todos os requisitos da recomendaçãodo CONARQ.
OK, nada é perfeito. Mas por que, em plena era digital, onde tudo está sendo processado por computador, não conseguimos fazer gestão arquivística informatizada de maneira segura e eficiente? Esse é meu primeiro questionamento.
Após algumas conversas com meu orientador, decidi incluir mais um item:
Como é a inserção de fotografias em SIGADs?
A Fotografia é um dos gêneros documentais mais intrigantes para se trabalhar em um arquivo. É simples se pensarmos que uma imagem diz tudo e que vale mais que mil palavras, mas é tão complexo sua organização arquivística...Será?


Meu terceiro questionamento:
Os requisitos do e-ARQ podem ser facilmente aplicados a esse tipo de documento?
Por enquanto, o tema da pesquisa é: A inserção de Documentos Fotográficos em SIGADs